
O barulho do passo dela estava alto demais, ou talvez fosse apenas o silêncio dos corredores que fazia tudo parecer mais alto. Ela odiava o silêncio.
A porta que procurava era grande, azul, com enormes detalhes dourados, uma coisa bem assustadora para a primeira vez que visse, mas apenas linda para quem estava acostumada. E ela achou exatamente no lugar de sempre, no final do corredor 5, na ala sul.
Azul era a cor favorita de sua irmã, já a dela era dourado. Então, claro que aquela porta era feito para elas.
Nyla se ajeitou assim que parou na porta, ajeitando sua saia, olhou para seus pés para ter a certeza que seus sapatos estavam limpos, ajeitou a bolsa em seu ombro e então, apenas quando teve certeza que estava perfeita, bateu na porta.
Duas batidas apenas.
E então esperou.
Ela sempre tinha que esperar. Era um treino. Nyla odiava esperar. Ela se entediava. Sua irmã era melhor. Sua irmã era mais calma. E Nyla não era. Ela era mais bagunceira. Não conseguia ficar quieta. Não conseguia ficar em silêncio, nem sua mente ficava em silêncio, ela sempre estava se movendo, andando, e deuses!
A porta abriu.
A visão que teve da sala era uma que já estava acostumada. A mesa ficava logo a vista, de madeira escura, com entalhos de constelação, e a cadeira de estofado azul estaria ocupado pela a mulher que ela conhecia bem.
⸻ Olá, mãe. ⸻ sorriu entrando na sala enquanto a mulher apenas se erguia.